Honestamente sempre gostei de fazer meu cabelo em casa, cortar e pintar meu próprio cabelo era uma diversão desde a pandemia. Já foram tantas cores e cortes diferentes, alguns davam bom outros eu ficava olhando no espelho e pensando porque cacete cortei daqueles jeito.
Mas aí passei a frequentar salão porque cansei das vezes que davam errado meu corte ou na vez que tive um corte químico.
Só que tem algo que me incomoda muito mais muito mesmo: Papo de Salão. Entendo perfeitamente que para algumas mulheres é engraçado, divertido e muitas vezes um espaço em que ela encontra para falar de seus problemas.
Infelizmente não é meu caso, toda vez que vou em salão de cabeleireiro saio irritada com alguma coisa, seja uma fala racista, xenófoba, machista, homofóbica. É impressionante não consigo curtir como um momento de auto cuidado, a culpa talvez (ou com certeza é minha mesma).
Não consigo lidar com papos bestas até como: pipoca de microondas é um veneno, arroz só vira açúcar, chocolate faz um mal danado menina, tem que ver se seu organismo está inflamado, jejum intermitente é que faz perder peso mesmo. Não sou cientista mas tudo que me parece pseudo ciência me incomoda e eu sei que ninguém precisa estar sempre 100% correto cientificamente, mas me pega a questão de tratar um alimento como veneno e dizer que meu organismo pode estar inflamado (assistir a nunca vi 1 cientista).
Cresci entre os anos 1990 e fui adolescente nos anos 2010 onde a cultura da magreza estava a todo vapor e bom eu sempre fui gorda passei por todos os xingamentos possíveis, fui a nutricionista e nutrologos “Dapheener seu IMC está muito acima, ja tem obesidade grau II, você vai esperar cair doente em uma cama? Ou vai fazer a dieta como deve ser?” Hoje com 37 anos venho dizer que nunca nenhuma das duas coisas aconteceram.
Porém hoje com 37 anos obviamente que tenho um senso de responsabilidade maior sobre meu corpo do que aos 15 anos quando ao meu ver as pessoas médicas e não médicas só estavam sendo más comigo e olha que nunca levei para o lado do coitadismo e usei cada palavra e xingamento como força para me emponderar de mim mesma e construir minha auto estima.
Compreendo melhor hoje a questão da saúde, apesar de que nunca tive nada, mas a idade é cruel ainda que não tenha nenhum problema de saúde em relação a obesidade. O ponto é agora faço uso das famosas canetas, com orientação médica, só que com o advento dessas canetas voltou toda aquela magreza extrema dos anos 2000, mas com um disfarce mais palatável que é justamente a questão de saúde. No meu caso segundo a médica que me recusou ma entrevista da bariatrica as canetas eram minha única solução.
Digo tudo isso para voltar ao assunto principal, no salão de beleza temos a gama de mulheres que sofrem pressão estética, espera uma gama não, todas nós sofremos pressão estética e ouvimos diversas coisas e algumas podem parecer que você tem 15 anos de novo, a discussão era novamente o IMC “quanto voce mede? Ah mas pra essa altura você tem que pesar pelo menos 70kg ou 65kg” “olha eu peso mais de 100kg desde a minha adolescência não me reconheceria assim tão magra e sem contar que vou perder coxa, bunda e peito. Sem querer me sentir mas faço mais o estilo mulher gostosa de coxa grossa e bunda larga.” “Mas toma as canetas e faça jejum intermitente que aí você vai ver que emagrecendo você vai gostar de se ver mais magra” Sorria e acene era a única coisa que me passava na cabeça.

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