Eu estava me lembrando outro dia que eu quase não fui aprovada no psicotécnico para dirigir e isso me fez pensar em coisas que acontecem comigo hoje em dia.

O ano era entre 2015 e 2016 na Praia Grande SP, eu tinha acabado a universidade e tinha decidido finalmente fazer minha CNH, sim com 26 anos eu decidi que estava ma hora de eu aprender a dirigir, muitos achavam que eu nunca iria querer dirigi porque aos 18 anos não quis tirar a carta (eu não tinha carro e sabia como ninguém pegar ônibus (errado)).

É mas aí com 26 anos recém formada e estudando para fazer residência multiprofissional, fiquei meio que sem desculpas para não aprender a dirigir, mas deixei claro que só ia fazer de carro (moto o para-choque é você), dei início naquele processo todo de auto escola, exames de visão, exame médico e o bendito do psicotécnico. Fui em um prédio na praça dos cabeções na PG, cheguei na sala e tinha outras pessoas também esperando o psicólogo chegar, já se passaram mais de dez anos então não me recordo com exatidão a ordem dos fatos, mas em algum momento estava sozinha em um sala minúscula o psicólogo me entrega uma folha e diz para mim ir fazendo traços pequenos, na horizontal e do mesmo tamanho algo como vinte traços por linha. Tá bom, não entendi o motivo mas fiquei lá fazendo os traços de boa e com qualidade do jeito que ele tinha pedido, deu dois minutos o homem volta na sala e diz “você só fez isso?” ele tava indignado e eu confusa “to fazendo como você mandou” ele respondeu “em dois minutos você já tinha que ter enchido a folha.” eu falei “mas eu to fazendo certinho os tamanhos na linha” o homem olhou pra mim e falou “enche a folha te dou mais dois minutos” eu que estava caprichando nos detalhes comecei a fazer de qualquer jeito e entreguei a folha cheia de linha torta e fora de tamanho.

Depois veio o caderno de completar o desenho (pqp que inferno) eu levei pelo menos cinco minutos para entender o conceito daquilo e depois veio uns outros teste que não me faziam sentido e eu demorava pra entender. Lembro que quando acabou o psicólogo na recepção falou que todos tinham passado e podiam ir embora, eis que o homem olha pra mim e fala “você fica aqui mais um pouco, precisamos conversar” Ah pronto (eu só fui diagnosticada com ansiedade anos depois, mas ja sofria desse mal) me deu um gelo de como quando você era criança e a professora pedia pra falar em particular com sua mãe (sim isso já aconteceu diversas vezes). Eu só pensava que caceta eu tinha feito de errado, mas também pensava que ele disse que todos tinham passado e eu tava no meio de todos, que caraio ele queria comigo. O psicólogo volta segurando um monte de papel e fala para eu acompanhar ele, fui gelada e com dor de estômago (ansiedade a milhão), ele pede para eu sentar numa cadeira e coloca todos os papéis em cima da mesa e vai me mostrando tudo que eu tinha feito e de novo me bateu uma sensação de estar na escola parece que a qualquer momento ele iria querer falar com a minha mãe. Mas então ele me solta uma frase que ja foi tema de diversas sessões de terapia “Dapheener consigo ver pelos seus testes que você dá muita atenção para aquilo que não é importante” e me deixou ir embora com essa pedrada.

Como assim eu dou muita atenção no que não é importante?? O que isso quer dizer afinal? Bom até hoje eu não sei, nunca cheguei a uma conclusão final com nenhum psicólogo(a) que já passei. Mas esse homem atormenta minha mente até hoje com essa frase, afinal o que é dar importância para aquilo que não é importante? Se EU dei importância é porque EU achei importante, não? Ou tem uma regra mundial de importâncias por aí que eu não fiquei sabendo? 

Okay parte boa é que passei de primeira na teórica e na prática e hoje mais de dez anos depois (dirigindo carros diferentes e em SP) nunca levei uma multa sequer e bati o carro uma vez só contra um pedaço de concreto escondido entre os matos. E outra agora dirijo na mão contrária, descobri que é um sonhos para os canhotos assim como eu.

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